quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Morador de rua por um dia

 Na minha imaginação, amanheci dormindo na calçada.Me levantei bem cedo, juntei minha coberta, botei nas costas e saí andando sem saber pra onde. Não tinha um banheiro e nem água, pra lavar o rosto. procurei um terreno baldio e atras da moita, fiz as necessidades. Não tinha papel higiênico, então juntei do cão um papel molhado.Saí batendo de porta em porta, ouvindo desaforo de pessoas pouco educada. Por algumas vezes,por pouco o cachorro não me mordeu. Em uma casa eu ganhei a sobra de uns pães envelhecidos.Para não deixar de ser diferente, alguns trocados que eu ganhei, gastei em aguardente. Encontrei um velho andando, por volta do meio dia. Perguntou se eu já havia almoçado, eu disse que não. Então me convidou para comer alguma coisa. sentamos juntos na calçada, e o velho repartiu dois pães e duas bananas e eu reparti a minha aguardente. Pois eu já estava passando mal, por não estar acostumado com a vida de indigente. Chegando ao cair da tarde, tudo que eu mais queria, era poder tomar um banho e trocar de roupas. Eu estava tão cansado, mas para completar as vinte e quatro horas do dia,eu ainda tinha uma noite inteira pela frente.A noite chegou e alguém me ofereceu um prato de sopa,que delícia, meu Deus muito obrigado. Procurei um lugar para dormir, me deitei na calçada, bem na porta de uma loja, onde já havia umas pessoas deitadas. Em seguida o tempo fecho e pegou a chover, eu já esta tudo respingado. Foi quando surgiu um moço forte e bastante descontrolado. Arrancou de mim a coberta e por pouco não me deu umas porradas. Mas me deixou bastante humilhado. Quase morri de tanto frio, foi a noite mais longa de toda minha vida. Foi assim que eu aprendi dar valor, o aconchego do meu lar, pelas vezes que da chuva eu reclamava.O barulho da chuva no telhado, até parece engraçado.Mas é muito triste pra quem dorme tudo molhado.Para quem vive no conforto do lar e reclama da chuva e do frio, não tem ideia, do que é passar a noite na goteira, deitado na calçada gelada. São vagabundos desocupados? Não, são gentes como nos, que devem ser amados e respeitados na mesma igualdade. Salve o morador de rua e faça valer a vossa caridade.

                                                     Clementino Andrioli      23/12/20   

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